sexta-feira, 25 de setembro de 2009

CORAÇÃO DE POETA


CORAÇÃO DE POETA

Sangra coração de poeta,
recrudescido de dor,
entorpecido de amor,
empobrecido de razão,
enobrecido de emoção...
Esvaia-se até a última gota,
frágil e ébrio de paixão.
Como podes ser assim,
tão tolo, tão imbecil...?
O que pensas coração infantil?
Não consegues ir mais além?
Irás para sempre amargar
o saborear dessa traição?
Amadureça coração,
abstenha-se desse amor;
ele não fez por te merecer.
Aliás, isto nem foi amor,
pois só você foi quem amou;
e agora também é só você,
quem vai padecer?
Atenção, coração:
Intimo-te a esquecer.
Amadureça-te, infante,
e nunca mais ouse de novo
nessa loucura me envolver;
ou então pare logo de pulsar
e me impute o falecer!

Antônio Poeta