terça-feira, 15 de dezembro de 2009


As mãos

“Pelas mãos passa o sentimento do poeta...
são delicadas executantes dum pensamento!
Orgulhosas da sua função
aqui estão elas: sempre à mão!”
As minhas mãos,
se têm algum sentir,
é o teu...
o sentir das tuas …
que afagam as minhas... que não largam,
têm a forma certa para encaixar nas tuas,
sabem de cor os teus relevos,
sabem a relevância que tens para mim,
sabem o que senti
com o seu toque,
o que descobri, mais do que com o meu olhar…
tardam em chegar ao seu destino,
teimam em buscar o teu conforto,
e se o seu porto é pequenino
não é o meu coração
pois ao chegarem,
o teu (coração) ao meu dá a mão.
Só te quero ter à mão
para poder experimentar
o tempo de não esperar o momento de te ver partir.
Nas minhas mãos o teu regaço,
a tua completa existência,
em cada ruga,
em cada traço…
fica a certeza...
traçados sim um para o outro,
de mão na mão para todo o tempo
Os dedos são testemunhas
do nosso grande e eterno amor.
Têm truques e segredos,
sabem de emoção…
Têm a maior
expressão: a do nosso amor!
Afagos, carícias, apertos
sem nós cegos apertados,
vida fora sempre dadas:
caminho de paz,
de amor,
entrelaçadas: as mãos e as vidas
supostos terminais do meu corpo
são o principio de te sentir,
só os lábios sabem mais
por terem essa vantagem do sabor “logo a seguir “
mas sabem que não determinam
onde só as mãos sabem ir...
Têm rugas de sabedoria,
têm veias de poesia
apertadas pelas tuas
a vida inteira, noite e dia!
Informam-me da tua forma,
da forma de eu sentir
conforme ao sentimento,
aperto-as...
para não te ver partir...
e sinto, momento a momento,
o coração a disparar de amor …
o dedo aperta o gatilho e mata!!!
Mata a fome de tantas horas de mãos abertas
à espera de a ti as dar
simplesmente e tão apenas
DESERTAS PARA TE ENCONTRAR !!

Luís Sardinha