quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

MAIS UMA LUA CHEIA


MAIS UMA LUA CHEIA

Cheia, no alto, brilha a lua.
É a sétima ou a décima,
neste céu de desamor.

Luz a me iluminar a alma,
e a formar a imagem sua,
que abrolha em silhueta,

de contorno, fino, frágil,
qual a borda de uma flor.
Suave, dócil. Tão perfeita!

Até que nuvens espessas
estendem-se, qual um véu.
E vento e tormenta levam

para longe o prateado.
Abruma o infindo céu.
Límpida, na fonte, a água

desce, macia, da encosta.
Meneia, para saciar
Quem lhe tocar com os lábios.

Impotente, aqui, incapaz,
perco-me, a ver o luar,
sem poder colher-lh’os raios.

ARI DONATO