terça-feira, 1 de março de 2011

"Do Outro Lado...De Lado Nenhum"


"Do Outro Lado...De Lado Nenhum"

Leve, hoje sou mais leve ainda que o rumor da própria
brisa e sei que estou louca, louca de insana alegria,
louca porque soltei as amarras e a vela vaga no mar alto
e está perdida.

São minhas as estrelas da tarde, é meu o
sonho que a chuva arrasta, sonho por alguém
abandonado, na volubilidade da vida que tudo mata.

E danço, danço, porque a sombra me deixou…
e no meu mar não deixou lastro,
e eu leve,
tão leve ao fim do dia.

No murmúrio das águas calmas,
na água onde o sol me guia,
e livre voo com as aves vivas,
procurando no lugar onde não sei,
o brilho de quem não brilha,
o alumínio baço que encobre a peça,
peça do mais puro metal já refundido.

Busco a sombra sobre a luz intensa,
o fascínio sob a capa do pastor,
as mãos calosas, tão macias,
o olhar arguto que me leia e nele verta a confiança
de um caminhar consorte.
Na horta seca, no jardim arruinado, no barrocal de ervas,
na mata cheia de espinhos, na ausência do mundo,
na simplicidade de tudo, de tudo que de leve sustenta o mundo,
e de apagado o ilumina, e na constância do amor,
o amor para sempre afirma.

Hoje lanço à brisa o coração, e o seu bater é toada solta...
E sei que no outro lado de lado nenhum,
alguém o tomará nas suas mãos e dele beberá o mel sóbrio da vida,
o mel que o frio coalha, na talha que o contém e é do mais puro vime,
vime dos canaviais da esperança,
em barro de terra fresca onde a paixão se espalha e não se esgota.

Do coração fará seu dono, alguém no outro lado do espelho,
no outro lado de lado nenhum, aquele que em mim verá,
mais a certeza de um porto, a fortaleza que resiste o rochedo
que a maré bate, a farol que não se extingue, o rumo incerto
projetado ao infinito, na infinita doçura do que sinto e deponho
aos pés de quem puder dizer-me:
Eu acredito!
No Amor do Meu Amor...

Maria flor