segunda-feira, 26 de março de 2012

Perguntei ao amor...

Perguntei ao amor...

Diz-me amor...do sal no meu olhar...do grito mudo...da escuridão
Dos lençóis desfeitos...gelados de renúncia...prenhes de mágoas
Do vestido vermelho tecido a fio de desejo...perfumado de ilusão
Diz-me amor...dos laços do meu cabelo...do sorriso...das lágrimas
Diz-me amor...de que sombras é feito o meu corpo...de que noite
De quantos silêncios é feito o meu grito...de que vazio me enfeito
Em que mortalha os meus braços se envolvem...em que morte
Diz-me amor...de que memórias é feito o vazio do meu leito
Diz-me amor...de quantos passos errantes é feito o caminho
De que vielas são feitos os medos...de que cinza se faz o amor
De que penas são feitos os sonhos de que cardos se faz o destino
De quantas rosas é feito o desejo...de que lamentos é feita a dor
Diz-me amor...de quantos momentos são os instantes...de que frio
De que noite se faz a madrugada...que farrapos tecem os sonhos
Em que nudez se entregam os corpos...de que carne se faz o cío
Diz-me amor...de que vida...de que morte...se fazem os Outonos
Diz-me amor...de quantas ondas se faz tempestade...de que vento
De quanto mar imenso são feitos os meus olhos...de que escuridão
Em que degraus é feita a descida...quantas mortes tem o tempo
Diz-me amor..com que pena se escreve mágoa se desenha solidão
Diz-me amor...de que muros se faz a partida se esquece a chegada
De que esperas se faz a ausência...que laços tecem a amargura
De quanta treva se faz a sombra...quanta luz escurece a alvorada
Pergunto-te...de quanta dor se faz a lonjura...se olvida a ternura

RosaSolidão