segunda-feira, 19 de março de 2012

Por um momento que seja

Por um momento que seja

Entrego-me ao aconchego do calor em teu peito,
E antecipo o sabor amargo da precoce despedida.
O vento lá fora sacode a janela, de um jeito...
Como quem ameaça devastar nossa vida.

Nesse instante desejado, insano e perfeito,
Não cabe culpa ou temor em sofrer.
Teu carinho semeia um sorriso em meu peito,
E dou o nome de vida, ao que se faz florescer.

Amarguei a saudade de um amor tão estranho,
Não sabia o nome ou que rosto teria.
Minha alma aguardava com anseio tamanho,
Que sem te conhecer, já te pertencia.
Somos a pura paixão ardendo em febre terçã,
Mas esse vento lá fora me assusta, não nego.
Sem esperar que o sol venha nascer amanhã...
Anoiteço em teus braços, e por completo me entrego.

Gil Façanha