segunda-feira, 28 de maio de 2012

Nota silenciosa...

Nota silenciosa

Ah, o silêncio... Não conheço nenhuma forma mais profunda de emoção latente. Aquele olhar de uma criança que nada entende, o vazio de um quarto que dorme, o eco que enquadra um campo... Ele sempre me cabe, me aquieta, me preenche, como gotas pequenas de orvalho que juntas formam um filete de água límpida acordando aquela pequena flor nascida em algum vão de terra. Por vezes, encho minhas mãos de silêncio e o faço ninar em meu peito, a fim de que ele nunca fuja e que ao meu redor a paz trazida seja sempre recorrente. É no silêncio que meus versos nascem, minha dor se acalma, meu amor multiplica... Como se eu parisse sentimentos sem dor, visse todas as cores que o escuro contém, experimentasse a incrível certeza de viver plenamente minha própria alma. Não há de se ter receio de vivenciar o silêncio. Não é nenhuma dor algoz, nem sangra em prantos, é apenas escolha, são sonhos em folhas que sanam enganos. E nos gritos do silêncio, que quebram todas as janelas do peito, enfim, posso nascer reinventada, sentir todos os cheiros, praticar todos os verbos... E assim caminho, cerzindo meu silêncio ao meu amor mais profundo, numa mistura estranhamente perfeita que faz disso tudo, meu melhor e maior barulho!


Ka Santos