quinta-feira, 3 de maio de 2012

Uma brisa dourada entra pela janela. Minha única companhia é uma suave manta xadrez junto ao sofá. Pés frios, mãos inquietas. Sintomas de alguém sozinho que apenas ousa rabiscar os medos vindos daquele velho coração sonhador. Sonhamos sempre com o que seremos um dia, ou com o que queremos da vida, mas a essa mesma vida cutuca e ensina que não somos donos de nossos caminhos, quiçá de nossas conquistas. Cada escolha demanda várias renúncias, por vezes leves, por vezes tão doloridas. E, nessas horas, a coragem se encolhe, se escondendo tímida dentro de um ser perdido e temente. É tão primordial não envergonharmos a criança que existe dentro de nós... E estarmos sempre encaixadas dentro das boas regras humanas e dos preceitos aprendidos desde o berço... Será? Na verdade nessa tarde fria, pacata e silenciosa queria encontrar-me e vestir-me de uma leveza azul onde os risos são naturais, a paz tem morada no peito e o amor reina tranqüilo e absoluto. Sonho apenas em ter-me... Ser a dona absoluta de meus gritos, meus vôos, meus risos. E num breve momento dizer-me feliz, pois enfim, minhas asas foram assumidas. E posso voar e levar comigo esse amor imenso que levita em mim... E assim permaneço, e caminho, e emudeço em meus sonhos nunca ouvidos e em meu eu nunca permitido... E um dia, numa carona repentina dada pela liberdade, expulsarei todos os meus medos e caberei dentro dessa ilusão. Tão doce, tão minha... Por hora somos apenas minha manta xadrez e eu...

Ka Santos