domingo, 21 de julho de 2013

VOO




VOO

Voaria,
se a vida e o sonho o permitissem,
até ao infinito-de-mim…

Mas não posso…
…eu não tenho infinito!

O meu voo é nas palavras, inconformes e alienadas,
que os dedos desenham
pela ponta da pena-escrava
quando se enlaça à mensagem .


Poema-meu…
… ilha errante na orla constante de um início…
…poema-queixa…
…poema-revolta…
…POEMA-POEMA
onde viajo na réstea de liberdade
de uma cantata à solta! 

(Ícaro…interstício-do –engano-da-verdade)

O sonho interroga a poesia no alvo aparecer do dia!
Olho os céus na ponta das palavras e voo pelas nuvens
com lexemas nas aragens do pensamento,
à procura de luzes eternas e brilhantes
que sedimentem o corpo do poema .

Os ventos, em espiral, num etéreo voltear,
escalam sonhos das noites e sopram soltos o Universo,
onde páro para me encontrar.
Apanho brisas de horas, que perpassam pelas
vazias asas que não possuo…
…mas sinto-as nas gotas de orvalho, quando sofro palavras
que voam ao sol ardente e se desfazem em cera-poesia!

Marilisa Ribeiro-MSG