sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

LAMENTOS




LAMENTOS

Desço dos pedestais do meu orgulho,
afronto a vaidade que tantas vezes me guiou.
Percebo em minha coragem a existência da covardia,
e lamento que minhas imperfeições, 
feito correnteza nas tempestades de nossa paixão,
tenha te impelido para tão longe nesse mar de lamúrias. 

Desafiei teus sentidos, despertei tua ira,
arrebatei as cortinas dos teus olhos...
As mesmas que ofuscavam tua visão,
quando em momentos de lascívia juravas me conhecer.

Mas, amor...
Eu mesma não me conseguia distinguir entre aquela que era,
e a que desejava subsistir. 

Após acolher tua inevitável partida
velo então o horizonte,
e entre dias e noites, remanesce a espera solitária,
faço do teu retorno minha maior e única ambição.

E aqui, do ponto mais alto da minha saudade,
na esperança de guiar-te,
mais uma vez rumo aos meus braços,
de dia sou o próprio sol...
E a noite, o mais intenso farol. 

Gil Façanha