segunda-feira, 21 de março de 2016

UMA BATALHA EM MIM





UMA BATALHA EM MIM

Fui tantas vezes ela...
Que de mim me perdi. Corrompi meus olhos na tentativa de não precisar encarar aquilo que me negava existir. Passei a ser mais livre do que jamais fui, ousei como nunca houvera ousado dantes... E de
alguma forma tornei-me de mim mais distante.

Fui tantas vezes ela...
Que me tornei horizonte. Ao longe vejo apenas um longo e antigo rastro de mim. Ultrapassei fronteiras, derrubei muralhas, e as cicatrizes de antigas batalhas deixaram eternas lembranças de um passado
que sempre estará presente... tão meu somente.

Fui tantas vezes ela...
Que veio a tona o melhor de mim. Mergulhei fundo em meu desconhecido, encarei os gritos e gemidos, e o medo que tentava minha lucidez destruir. Quebrei regras e promessas, e corri como quem tem
pressa de aprender a viver... Exasperada pela angústia de ser o que o mundo me obrigava a ser.

Fui tantas vezes ela...
Que destruí todos os conceitos, aprendi a me aceitar com a visão dos meus próprios defeitos, e assim descobri quantas vezes deixei de ser eu. E após essa longa batalha entre o que fui e o que hoje sou,
apesar daquela parte de mim que se perdeu... Uma mulher mais forte, renascida de uma guerra só sua, sobreviveu.

E nesse equilíbrio que busquei entre razão e emoção, libertei as correntes do meu coração, e minh ‘alma de minha própria cela...

Mas tudo porque antes, fui tantas vezes ela.
*Gil Façanha*